Sindicato vê “atentado ao estado laico” em novo edital do BB para filmes

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O formulário do edital do BB, aberto nesta segunda-feira (12) pela empresa BB DTVM, subsidiária do Banco do Brasil, questiona os realizadores sobre o uso de cenas de nudez, prostituição, drogas, crimes e pedofilia. Os filmes receberão investimentos da empresa via Lei do Audiovisual. O Sindicado dos Bancários de SP, por sua vez, aproveitou-se para atacar o BB, afirmando que o mero questionamento é um desrespeito à diversidade e um ato de censura, além de “atentar contra o estado laico”.

O documento pergunta se “serão exibidas cenas de nudez ou sexo explícito”, questionando ainda se haverá “cunho religioso ou político” ou se “faz referência a crimes, drogas, prostituição ou pedofilia”.

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A mudança vem logo após a indignação do presidente Jair Bolsonaro (e de grande parte dos seus eleitores), sobre o fato da Ancine ter aprovado financiamento para série de Bruna Surfistinha, o que teria motivado o Presidente a modificar a estrutura da Ancine, ao dizer que o órgão deveria ter alguns filtros de conteúdo. Bolsonaro chegou a transferir o Conselho Superior de Cinema para a Casa Civil.

Nós não queremos nem censuraremos ninguém, mas não admitiremos que a Ancine faça peças ditas culturais que vão contra os interesses e nossa tradição judaico-cristã”, afirmou Bolsonaro na ocasião.

“Vários filmes brasileiros com cenas de nudez são premiados internacionalmente!”

Mas, nesta segunda-feira, pouco após a publicação do edital, o Sindicato dos Bancários de SP, Osasco e Região, por meio de um artigo, criticou o documento e acusou o governo de tentar “censurar” o cinema do país.

“É um absurdo o governo usar o Banco do Brasil para aplicar esta clara tentativa de censurar, através da força do dinheiro, o cinema brasileiro. Se um filme aborda uma temática relacionada a uma religião diferente da do presidente, não poderá ser realizado? Vários filmes brasileiros com cenas de nudez são premiados internacionalmente! O BB deveria zelar pela pluralidade de ideias e de temas. Vetar que empresas públicas financiem obras cinematográficas devido ao seu conteúdo é uma clara tentativa de censura”, disse João Fukunaga, secretário de assuntos jurídicos do órgão.

Em dado momento, Fukunaga chega a acusar o governo até de “atentar contra o estado laico”. O fato de filmes com nudez serem premiados internacionalmente foi apontado, pelo sindicalista, como argumento decisivo, já que o dinheiro investido teria, portanto, um retorno financeiro com a atividade.

O texto do Sindicato também ataca o presidente do Banco do Brasil, por ter concordado com o Presidente no episódio do comercial do Banco.

A Campanha de Publicidade do Banco do Brasil utilizava linguagem da “agenda da diversidade” para retratar a juventude em personagens, ocasião em que o Presidente foi falar com o presidente do BB, Rubens Novaes, que concordou com o presidente e retirou do ar a peça publicitária.

Com o objetivo de moralizar as contas públicas, o governo mantém sua investida contra as agendas internacionais que tentam “colonizar” os países em desenvolvimento como o Brasil, através de investimentos estrangeiros para a mudança cultural que ambiciona, no fundo, mudanças políticas. O novo edital do BB é, sem dúvida, bem visto pelos eleitores de Bolsonaro.

As derrotas da classe artística progressista dentro do governo vêm sendo acumuladas, não sem grandes choradeiras e acusações de censura. Fruto de grandes investimentos estrangeiros, as pautas de subversão cultural contam com centenas de apoiadores até mesmo dentro do governo. Até mesmo nomes como Alexandre Frota, ex-ator pornô, já foi cotado para comandar a Ancine, através de um ex-assessor. Mas terminou expulso até do PSL.

Leia o edital

Não falta dinheiro para a “diversidade” no mundo

A causa da diversidade, hoje, conta com grande financiamento internacional, vindo de diversas entidades estrangeiras. Só a Fundação Ford gastou, em 2018, 2 bilhões de dólares, espalhados em 33 outras fundações pelo mundo. A Fundação, que atua no Brasil desde 1967, propõe discussões e debates a partir do financiamento de pautas e movimentos sociais, em temas como diversidade, racismo etc.

A UNESCO também injeta grandes somas de dinheiro para disseminar a preocupação global. Em março de 2019, investiu 100 mil dólares para a criação de um Fundo para a Diversidade Cultural, direcionado especialmente para países em desenvolvimento.

O Santander Cultural, que já mostrou não ter qualquer filtro ao conteúdo de seus investimentos culturais, mantem iniciativas para impulsionar temas como a diversidade “sem filtro” desejada por realizadores brasileiros.

Essas são algumas possibilidades para os realizadores buscarem financiamento, deixando o dinheiro público para realizadores independentes com conteúdos não contemplados por agendas estrangeiras.

 

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