Como será 2022? Uma reflexão desde fora das torcidas

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Guilherme Hobbs

Até esse ano, a união verde-e-amarela de 2015/2016 terá acabado de se fragmentar e se dissolver. Grupos com discurso anti-institucional, a maioria próxima ao governo ou PSL, farão barulho, mas não encherão uma quadra da Paulista. A economia não terá decolado e só a menor parte das reformas será concluída. Com a popularidade do governo abaixo de 40%, o presidente escolherá não concorrer. Nem Moro nem Guedes se candidatarão, pois de coração são especialistas e não políticos, e o presidente apoiará um aliado mais experiente, como Marcos Feliciano.

A esquerda continuará em frangalhos politicamente, apostando as melhores energias na guerra cultural e na conquista do Parlamento. Com isso, preparará uma volta segura ao governo, como foi em 2003. As universidades, a mídia e boa parte da “sociedade civil” continuará solidamente em suas mãos. Eles jamais esquecerão a lição que Olavo repete inutilmente há tantos anos: na disputa cultural, um professor de escola primária na periferia tem infinitamente mais poder que o presidente da República . . .

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Haverá uma percepção geral de que a Era Bolsonaro gerou mais luz que calor e muitos dos manifestantes de 2015, em especial os de mentalidade mais liberal, desejarão um novo governo que dê resultados, ao invés de dar “ideologia”. A temperatura ideológica da política terá baixado bastante e a disputa direita-esquerda despertará paixões em bem menos pessoas. Muitos se questionarão: No que resultou tanta polarização? Não foi um exagero, que beneficiou mais os oportunistas e demagogos do que o povo real?

Dentro da direita, haverá uma divisão clara entre essa ala “pragmática”, liberal sobretudo, que trabalha numa solução econômica e estrutural para os problemas políticos, por meio da aprovação das reformas, e outra “radical”, anti-institucional, que promete uma solução política para os problemas econômicos e sociais. A falta de consistência nas propostas desta última ala, somada ao cansaço com a sobrecarga ideológica do governo, a afastará do poder por longos anos.

Neste cenário, a candidatura de João Dória terá rapidamente o apoio de quase toda a direita liberal, dos governadores e da maioria do Parlamento (mesmo dentro do PSL). Ao contrário de 2018, não haverá tergiversações ou algum “Flavio Rocha” neste campo. A hora é de resultados e o caminho do PSDB de volta ao poder será rápido, incruento e quase indolor. Dória parece estar costurando tudo isso meticulosamente desde 2016.

Boa parte da atual bancada do PSL desaparecerá da política e do horizonte. Os deputados mais votados e influentes serão liberais focados na economia, ao estilo do “Príncipe”. Eles serão a voz ouvida pela imprensa e pela maioria da classe média. Eles serão a hegemonia até que a esquerda, de rosa ou vermelho-sangue, volte ao trono que é seu — devido ao controle sobre as instituições — e que permanece vago desde 2015.

A imprensa gradualmente recobrará o prestígio. Nada será como antes de 2013, mas a “desmessianização” da política, a substituição da política pela economia no foco das atenções e esperanças, a valorização do pragmatismo, revalidará o papel de quem oferece comentário econômico credenciado: a velha imprensa. A revolução-via-whatsapp parecerá um fenômeno datado, ilusório e infantil. O “Gigante” terá voltado a dormir, pois, ao abrir brevemente os olhos, não viu o que lhe retivesse a atenção e despertasse a inteligência.

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Quem ainda buscar uma transformação espiritual profunda do Brasil, vai aprender na prática o que tantos já ensinaram na teoria: não é do alto de palanques e palácios que se muda o povo, mas é oferecendo-lhe, com humildade e sabedoria, algo de intrinsecamente real e verdadeiro. Mas quem terá algo de real e verdadeiro a oferecer? Antes, quem terá encontrado e absorvido algo real e verdadeiro para si mesmo, para então poder compartir?

PS: ESTE TEXTO NÃO É DE TORCIDA. NÃO É “CONTRA” OU “A FAVOR” DE NADA. Destina-se apenas a quem busca uma compreensão da História.