Governo mantém agências de propaganda das gestões Dilma e Temer

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Foto: Rafael Carlota/PR
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A Secretaria de Comunicação (Secom) do Governo Federal vai manter contratos de três empresas de publicidade e propaganda que foram firmados e renovados durante os governos Dilma e Temer. As empresas Artplan, Calia Y2 e PPR, envolvidas em polêmicas por supostos superfaturamentos nos governos passados, vão continuar fazendo serviço de propaganda para o governo Bolsonaro. A informação sobre os contratos está no site da Secom.

Com isso, o governo perde a oportunidade de reduzir os custos com publicidade, alinhar a comunicação oficial aos propósitos do governo e evitar a formação de esquemas de superfaturamento que envolveram os últimos três governos. A comunicação é um dos aspectos mais estratégicos de um governo e os critérios de contratação podem variar conforme a orientação política, o que parece não ter sido pensado ainda.

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Além disso, reduzir o orçamento em publicidade governamental, no Brasil, significa desligar certos esquemas influentes na política, motivo pelo qual é tão difícil interferir. Nos últimos anos, a imensa maioria dos escândalos de corrupção envolvia agências de publicidade aliadas ao governo. Paradoxalmente, a manutenção das agências pode afetar gravemente a imagem de um governo pautado pelo rompimento com velhas práticas, como mostrou o recente episódio da Ancine.

De acordo com fontes de Brasília, o antigo secretário Floriano Amorim pode ter sido remanejado para a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) por ter conseguido reduzir o custo das mídias digitais. Floriano trabalhou 20 anos com Bolsonaro e era totalmente alinhado ao presidente.

Assim como ele, Carlos Bolsonaro também chegou a defender mudanças drásticas na publicidade do Planalto. Em janeiro, o filho do presidente afirmou que o Planalto iria a sua própria agência e cortasse cerca de 70% do dinheiro que vai para agências privadas. Pelo visto, nada disso foi possível.

Empresas mantidas estiveram no centro de escândalos de corrupção

Novos contratos poderiam contemplar defesas contra a formação de esquemas como o superfaturamento que se viram envolvidas as três agências mantidas pelos governos Dilma e Temer. Algumas bem mais antigas, como é o caso da Artplan, que aparece em fraudes do governo desde o ano 2000.

Uma das agências é a Calia Y2, pertencente a Gustavo Mouco, irmão de Elsinho Mouco, que foi marqueteiro de Temer enquanto era presidente. A agência esteve envolvida em polêmicas durante o governo Temer, no qual teve um aumento de 82% nos repasses, de acordo com informação do Portal Transparência, na época. De janeiro a agosto de 2017, os pagamentos à agência alcançaram R$ 64 milhões, mais do que em qualquer ano de administração da petista, informou o Antagonista.

Já a Artplan é macaca velha da comunicação governamental (e do noticiário de corrupção). Em 2000, a empresa foi suspeita de favorecimento em licitação em contratos com o governo, tendo recebido aditivos sem especificação e outras irregularidades envolvendo os então proprietários, membros da família Bornhausen, de Santa Catarina. Em 2007, a Artplan aparece novamente como suspeita de ser usada pelo então deputado Raul Jungman para o desvio de verbas por meio de doações nas eleições de 2002.

A terceira agência é a Profissionais de Publicidade Reunidos (PPR), pertencente ao grupo Dentsu Aegis Network, do Reino Unido, que atua em 145 países. A agência PPR, no Brasil, esteve envolvida em fraudes licitatórias no governo do Rio de Janeiro, atendendo a indicações do próprio governador Sérgio Cabra, segundo delação premiada. Segundo dados oficiais da Secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro, desde 2008, PPR e Prole faturaram R$ 229,6 milhões com a publicidade do estado, em contratos decorrentes, de acordo com o relato do delator, das licitações fraudulentas.