Brasil condena Foro de São Paulo no Grupo de Lima

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Reuters
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O governo brasileiro teve o apoio do Grupo de Lima contra o Foro de São Paulo, que se reúne a partir desta quinta-feira (25), em Caracas. Segundo denúncia de deputado da oposição, o regime de Maduro gastou US$ 200 milhões para sediar o evento que reúne os movimentos e partidos de esquerda da América Latina. O PT estará presente com uma delegação de 38 pessoas.

Políticos da América Latina vem demonstrando indignação contra o Foro de São Paulo. O Ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo tem mostrado preocupação com a organização fundada por Lula e Fidel Castro, responsável pela articulação que estabeleceu o poder do chavismo na Venezuela e do PT no Brasil.

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Nesta terça-feira (23), o chanceler participou da reunião do Grupo de Lima, em Buenos Aires, que publicou uma nota condenando movimentos que não respeitam a democracia e os direitos humanos, mencionando o Foro de São Paulo. Araújo já havia comentado em seu Twitter, durante a semana passada, que o Foro é o maior obstáculo ao desenvolvimento da América Latina.

A nota, divulgada no site do Itamaraty, em espanhol, rechaça a entidade e cobra de movimentos políticos de esquerda que abandonem a iniciativa se quiserem obter algum êxito em diálogo com a democracia na Venezuela. No ponto de número 13, as autoridades pertencentes ao Grupo de Lima…

“manifestam sua rejeição aos fóruns e movimentos – como o autodenominado ‘Foro de São Paulo’ – que pretendem atuar na defesa do regime ditatorial ilegítimo de Nicolás Maduro. Por isso, pedem aos movimentos políticos verdadeiramente comprometidos com a democracia, com os direitos humanos e com o Estado de direito, no hemisfério e em outras regiões, para que não participem dessa dita linha de ação e para que, ao contrário, e à luz do Informe da ACNUDH, coadunem com o processo de transição democrática na Venezuela”.

A entidade é motivo de três processos judiciais que pedem a cassação do registro do Partido dos Trabalhadores (PT) por submissão internacional ao Foro e por ter envolvido o governo brasileiro em agendas internacionais, além do recebimento de verbas ilegais. Além disso, foi protocolado um pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a ação do grupo regional na política brasileira. A CPI, de autoria do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), ainda busca juntar assinaturas.

Foro de São Paulo é considerada uma organização criminosa por diversas autoridades da América Latina

Na Colômbia, a senadora do Centro Democrático, María Fernanda Cabal, descreveu o Foro como o “cenário ideal para a incubação permanente do esquerdismo revolucionário”. Por meio de uma carta enérgica, a senadora diz que o evento é formado por “governantes que se metem no poder e se tornam ditadores genocidas que proclamam a luta de classes enquanto aprisionam, torturam e assassinam aqueles que têm a coragem de se opor”.

O presidente da Grande Aliança Nacional, Enrique Aristeguieta Gramcko, emitiu uma carta pública segunda-feira (22) em repúdio ao Foro de São Paulo.

“Mas quando você vem ao nosso país para apoiar a ditadura venezuelana, você está traindo seus próprios postulados; porque Maduro empobreceu os cidadãos, violou os direitos humanos, destruiu o setor de mineração e atacou ferozmente as comunidades indígenas”, diz Gramcko.

“Quando você vem para a Venezuela, esquece que o regime de Maduro não é um governo, mas um conglomerado de organizações criminosas. Você sabia que nos tornamos a capital mundial da cocaína? Você nunca ouviu falar do Cartel dos Sóis? Ninguém o informou sobre os vínculos com o Hezbollah? Você não viu os vídeos do contrabando em veículos oficiais?”, lembra ele.

“Senhores do Foro de São Paulo: o que vocês vem apoiar é outra coisa, é o crime organizado; e, dessa maneira, causam enormes danos à causa que afirmam defender”, disse ele.

Segundo o advogado e cientista político Carlos Sánchez Berzain,

“O Foro de São Paulo certifica que é o disfarce político do crime organizado. Em sua declaração em Havana de 2018, na qual, no slogan ‘até a vitória sempre’, politiza – entre outros – os atos criminosos de Nicolás Maduro e os crimes de Daniel Ortega. Qualifica como perseguição política a ação da justiça contra Rafael Correa e como ataques parlamentares ou judiciários ao estado de direito, apoia a quarta candidatura consecutiva de Evo Morales, também defende as plantações de coca, oculta e justifica a violação dos direitos humanos do povo de Cuba”.

 

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