A censura do Facebook atinge página do Estudos Nacionais e muitas outras

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A censura a páginas e perfis conservadores pelo Facebook já é um fato mais do que conhecido no Brasil e nos EUA, onde a rede de Mark Zuckerberg parece estar atuando para compensar a “excessiva liberdade” que teria permitido a vitória de Donald Trump e dado voz a uma sociedade mais conservadora do que o desejado. A drástica redução no alcance da página Estudos Nacionais pode exemplificar o modo de atuação da rede social.

A mesma rede social que abriga vendedores de medicamento abortivos ilegais, no Brasil, parece ter predileção pela redução do alcance de perfis conservadores ou considerados ofensivos às utopias culturais da esquerda financeira global. Estamos diante de uma forte censura, arbitrária e seletiva, responsável por reduzir o alcance de páginas provocando graves prejuízos para sites como Estudos Nacionais, tanto financeiros quanto de tempo de dedicação na produção de conteúdo, propagação e estratégia de comunicação na referida rede social.

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O fato em si já caracteriza uma grave violação dos direitos do consumidor. Poderíamos falar em lucro cessante, quando o prejuízo impede ganhos ou a efetivação de objetivos de empresas ou grupos. As perdas podem ser consideráveis para quem pretende viabilizar um veículo de comunicação e ter meios de sustentar suas operações.

Os algoritmos da censura

Existe uma caixa preta na forma de funcionamento de muitas partes do Facebook. Mas algumas características e dados da página são fortes indícios de como funciona o desfavorecimento de conteúdos que pode caracterizar um quadro de censura sem precedentes na história. Como se dá a censura? Seria sobre os temas abordados? Como o Facebook escolhe qual postagem vai mostrar e qual vai ocultar dos internautas?

Alguns números podem ilustrar e gerar perguntas importantes:

O alcance de uma postagem de Estudos Nacionais, no Facebook, que gerou 44 compartilhamentos, foi de 2.200 pessoas. Em outra postagem, ocorrem 557 compartilhamentos e um alcance de 2.693 pessoas. Isso significa que, no primeiro caso, cada um dos 44 usuários que compartilhou o conteúdo alcançou, em média, de 50 outras pessoas. Já na segunda postagem, cada um dos 557 usuários que compartilhou produziu alcance no conteúdo para apenas 3 a 4 pessoas adicionais.

O que explicaria esta diferença? Por que o Facebook não apresenta a postagem na linha do tempo dos usuários de forma seletiva?

Sabemos que o tema pode ou não estar no “Trend“, ou assunto do momento e engajamento, e que variações são naturais. Esses critérios até são tidos como justos na rede social, mas essa arbitrariedade pode esconder algo a mais.

A postagem com 44 compartilhamentos teve, na verdade, um alcance quase 12 vezes maior, com muito menos engajamento. Uma postagem com 557 compartilhamentos deveria indicar ao Facebook que há grande interesse no tema. O grau de engajamento da postagem com 557 compartilhamentos é notável, mas o Facebook pareceu escolher o favorecimento de outras postagens, menos desejadas pelo seguidores. Outro exemplo é a notícia do falecimento do jornalista Paulo Henrique Amorim. O post teve apenas 18 compartilhamentos, mas seu alcance foi similar ao da postagem de 557 compartilhamentos. Diante disso, só resta concluirmos que o fator de desfavorecimento de uma postagem em relação à outra possa ter relação ao conteúdo. A matéria em questão, com baixíssimo alcance em relação ao número de compartilhamentos, trata do pedido de cancelamento do registro do Partido dos Trabalhadores, devido filiação ao Foro de São Paulo.

Existem claras indicações de supressão de alcance de determinados conteúdos, especificamente aqueles cuja abrangência prejudicaria narrativas da esquerda na internet. Um exemplo são os incontáveis artigos e estudos que temos publicado sobre o tema do aborto, invariavelmente demonstrando falácias dos movimentos pela legalização. Sabemos que em outro momento o Facebook declaradamente prejudicou ações contra o aborto no referendo irlandês.

Algumas pessoas de tendência liberal podem argumentar que o Facebook é uma empresa privada, livre para agir como desejar. Mas mesmo valendo-se de princípios liberais clássicos esse raciocínio seria absurdo: a liberdade empresarial advém da liberdade humana individual, de onde vêm os princípios democráticos que empresas como Facebook dizem defender por meio da liberdade de expressão e ideias. Foi a sociedade, e não algum grêmio de intelectuais iluminados, que cedeu às empresas de comunicação o direito de intermediar suas relações. Quando grupos contrários à liberdade decidem utilizar essa mediação para privilegiar as suas próprias ideias, não há mais nenhum apreço pela liberdade humana, tampouco haverá qualquer livre iniciativa, mas apenas iniciativas privilegiadas por milionários. E é exatamente isso que ocorre.

A esquerda nacional e internacional debate constantemente sobre o papel do Facebook para frear as chamadas fake news, que nada mais são do que postagens politicamente indesejadas pelos grandes grupos que sustentam a esquerda. Se, dentro do raciocínio liberal, o Facebook seria uma empresa livre que apenas cede à pressão da sociedade, nada mais justo que conservadores exigirem também o seu espaço simetricamente ao que é dado à esquerda, contudo, enquanto a esquerda estaria amparada meramente na influência que conquistou, a direita ampara-se na luta por um direito básico: a liberdade.

Mas a realidade de que a própria empresa Facebook é parte da esquerda, e ironicamente, a direita fez morada e se criou dentro dela. Isso só foi possível por conta da liberdade de expressão, que foi dada, inclusive pela empresa, durante muito tempo, e agora está ameaçada, por conta das mais variadas formas de redução de alcance e bloqueio de perfis.

Como agravante, existe um certo monopólio no qual Google e YouTube têm um único dono; Instagram, Facebook e WhatsApp tem outro. Sobra apenas o Twitter, nas mãos de “um terceiro dono” do monopólio da comunicação digital. Se as censuras de alcance e controle de algoritmo se tornam triviais, como estão sendo, estes três núcleos de poder podem estar no controle totalitário de todo o fluxo de informação no mundo. Um poder sem precedentes.

Perda do alcance pós-eleição Bolsonaro

Em março de 2018, destacamos na edição impressa da Revista Estudos Nacionais de março, como o meio jornalístico e a esquerda internacional estavam preocupados em cobrar de Mark Zuckerberg, dono do Facebook, WhatsApp e Instagram, o combate às fake news, para evitar um novo efeito Donald Trump. Para eles, que perderam a eleição de Hillary, Donald Trump não foi vítima de fake news, mas teria enganado a todos com fake news pelas redes sociais. Sabedores do futuro, diziam que Bolsonaro poderia ser eleito com a mesma estratégia, criando fake news, e que era necessário coibir isso. Logo após a nossa reportagem, Zuckerberg anunciou atualização do WhatsApp onde restringia de 20 para apenas 5, o número de compartilhamento de mensagem no WhatsApp, e no mês seguinte, anunciou parceria com os checadores de fato, que são grandes empresas de comunicação que passaram a ter convênio com Facebook para marcar conteúdos considerados fake news e punir perfis com perda de seu alcance ou bloqueio.

Ou seja, deram um jeito de colocar de volta o poder, nas mãos de quem sempre o deteve.

Na primeira quinzena de abril de 2018, passados 4 meses das eleições, postagens na página Estudos Nacionais no Facebook tinham alcance na ordem de 15 a 30 mil usuários cada. A cada usuário que compartilhava, outros 50 a 120 usuários eram atingidos. Nessa época, o veículo Estadão foi incluído entre os checadores de fatos na parceria com o Facebook, e passou a ter o poder de marcar quem é ou não é fake news, e reduzir o alcance das páginas. Na segunda quinzena de abril, nosso alcance já caíra de 20 a 30 mil usuários por postagem, para apenas 10 a 15 mil usuários. Dez dias depois, vemos um alcance médio de 5 a 7 mil, até que em maio, cada postagem passa a atingir entre 2 a 3 mil usuários apenas.

Na mesma época o Estadão cometia uma das suas maiores gafes, com a publicação de notícia falsa de que em um evento envolvendo o presidente Jair Bolsonaro, uma menina havia se recusado a cumprimentá-lo. O veículo precisou desmentir, publicação uma errata e admitindo o grave erro, que teve sérias consequências para a vida da garota. A pergunta que fica é: alguém alterou no Facebook o alcance do perfil do Estadão?

De um lado, um conteúdo de direita pode ser punido mesmo sem cometer erros, por outro lado, o grande veículo pode cometer erros graves sem ser penalizado, já que ele mesmo é um dos quem tem poder de decidir quem será punido. De forma mais ampla, em defesa do direito de expressão, seria necessário questionar também a legitimidade da redução do alcance mesmo quando feita diante de uma verdadeira fake news. É legítimo criar regra de censura para todo conteúdo futuro do Estadão por conta de sua grave falha que parecia ter objetivo de afetar a imagem de Bolsonaro? Diante do dano provocado para a vida da menina, alvo da fake news do Estadão, seria também legítimo impor censura ao Estadão? Defendo que não. Nem nessas condições absurdas seria lícito retirar alcance da página do Estadão no Facebook ou impor-lhes qualquer outra forma de censura automática, tanto porque a liberdade de expressão é um direito inalienável, quanto porque não sabemos se os próximos conteúdos a serem publicados serão fake, quais serão fake e quais serão verdadeiros e pertinentes para o público. Assim, não recomendo nem desejo, que nosso algoz tenha a punição que tivemos. Ainda que escreva em um pequeno veículo cuja ação de redução de alcance possa ser bem mais representativa do que seria para o Estadão, se fosse imposto a ele uma penalidade similar.

A realidade é que o cidadão comum e as iniciativas da população que visam quebrar espirais de silêncio estão senso censuradas pelas grandes entidades que a geraram. Uma situação clara e muito grave de censura. Enquanto o Estadão certamente tem bases de emails gigantescas e origem de acesso extremamente diversificado, pequenos sites da mídia independente dependem muito mais das redes sociais para terem acesso. Ironicamente, é assim que buscam dialogar e falar em pluralidade: calando vozes as destoantes!

No que tange ao Facebook Inc., também parece ser pertinente que a empresa adicione no seus “Termos e condições”, cláusula que deixe claro que a rede social reserva-se ao direito de privilegiar ou punir determinados conteúdos em razão da aderência ou não com a sua visão subjetiva e ideológica do mundo.


Artigo: Marlon Derosa
Colaborou: Cristian Derosa

 

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Gringo que não brinque com “fogo” aqui dentro, porque a reação será violenta.

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Facebook terá de explicar a Juiz motivos de censura e exclusão de contas de usuários brasileiros – (Terça Livre – 16/07/2019)

https://www.tercalivre.com.br/juiz-de-goias-recebe-acao-civil-de-procurador-sobre-censura-e-pede-explicacoes-do-facebook

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