Invasão em celular de Moro pode indicar influência internacional em vazamento

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Os ataques de hackers aos celulares de procuradores da República e do ministro da Justiça, Sérgio Moro, podem indicar uma ação envolvendo hackers internacionais, e até mesmo o governo russo, no sentido de pôr em dúvida a Operação Lava Jato, responsável pela prisão do ex-presidente Lula. Essa é uma das hipóteses lançadas pelas redes sociais e youtubers desde que foram divulgadas as informações pelo suspeito site The Intercept Brasil. E não é difícil entender.

Afinal, o aplicativo usado pelos procuradores, o Telegram, é de origem russa. A segurança do Telegram ficou abalada desde o anúncio de cooperação com a justiça russa, no início de 2019. A partir daí, o jogo de associações liga facilmente os hackers internacionais do blog The Intercept ao governo russo, por meio de Edward Snowden, o conhecido ex-analista da CIA que denunciou uma rede de espionagem do governo dos EUA.

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O vazamento do celular de Moro, trazido à tona pelo jornalista americano Glenn Greenwald, teve a origem em uma “denúncia anônima”, segundo informou em seu site The Intercept. Greenwald é companheiro do deputado David Miranda (PSOL) e é velho conhecido de Snowden, que vive na Rússia, onde recebeu exílio após fugir dos EUA.

Greenwald ficou conhecido no mundo graças às informações cedidas por Snowden publicadas no The Guardian, o que tornou o hacker mais conhecido do mundo.

Procurado em diversos países por divulgar informações confidenciais de governos e políticos, Snowden tem sido suspeito de trabalhar para o Kremlin, o que ele nega. Mas basta imaginar o que seria dele sem a proteção russa para conjecturar se ele negaria alguma colaboração. Que o diga o ex-espião romeno Mihai Pacepa, autor do livro Desinformação, que não tem dúvidas sobre isso.

Snowden há anos questiona a segurança do Telegram e mostra conhecer as fragilidades do sistema. O Telegram foi fundado em 2013, pelos irmãos Nikolai e Pavel Durov, também proprietários da VK, a maior rede social russa. Os irmãos têm sido apresentados na mídia como inimigos de Putin e por anos se negaram a colaborar para entregar informações sobre adversários políticos do Kremlin, tanto pelo Telegram quanto pela rede social.

O governo russo chegou a ordenar o bloqueio do Telegram em todo o país, o que demonstra o interesse do Kremlin pelas informações dos usuários e pelo controle de dados de políticos do mundo todo.

Em 2019, após longa briga judicial (ou seria um teatro de desinformação?), o aplicativo concordou em colaborar com a justiça abrindo dados de usuários, desde que a colaboração não se estendesse ao Kremlin, algo obviamente difícil de delimitar.

O Telegram garante que seu sistema não pode ser acessado de fora, o que poderia nos levar a pensar que só pode ser acessado de dentro por quem tem algum tipo de acesso liberado ou, em uma outra hipótese, por quem conheça as fragilidades do sistema. Sobrariam o governo russo ou Snowden, que enviaria imediatamente ao seu jornalista de confiança no Brasil.

Mas qual seria o interesse dessa rede de espionagem envolvendo um hacker americano trabalhando para o governo russo e jornalistas de esquerda? O foco do The Intercept tem sido a Lava Jato há algum tempo, cuja desmoralização desencadearia o reforço na narrativa do projeto internacional #Lula Livre, um upgrade do projeto de poder do Foro de São Paulo e abertura de portas para a Rússia (já que à China elas já estão escancaradas).

Todo esse esquema internacional de tráfico de dados e influência tem, no Congresso Nacional, um agente que foi muito bem infiltrado: David Miranda, ex-suplente de Jean Wyllys, que foi para a Europa ampliar os contatos e dar cobertura à destruição do governo. No mínimo, o afastamento de Sérgio Moro eles vão tentar de todas as formas, para fortalecer a versão do golpe e a deslegitimação da Lava Jato.