O Espantalho do Chico

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Francisco Razzo publicou um artigo na Folha de São Paulo intitulado “Cruzada conservadora de Bolsonaro só faz sentido no Twitter”. O texto fala da diferença entre o conservadorismo bolsonarista – que ele chama de otimista – e o dele próprio – o pessimista.  A ideia, pelo que pude entender, é que nem todo conservador pensa igual e que o país estaria mais no prumo se esse grupo, agora no poder, seguisse as instruções prudentes e céticas do virtuoso autor de A Imaginação Totalitária.

Organização do presente artigo:
  • Apresentação do argumento shallow do Razzo – dividido em 17 pontos, um claro simbolismo esotérico da religião política bolsonarista
  • O Espantalho do Chico
  • Que “cazzo” é o Bolsonarismo?
  • E o Mito se fez Carne…
  • O curioso caso do conservadorismo ideológico
  • Conclusão

 

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Apresentação do argumento shallow do Razzo

  1. A dicotomia direita-esquerda é inadequada para quem quer pensar a política com seriedade. É melhor pensar com as categorias: conservador-progressista;
  2. Os conservadores entendem que o que dá “coesão harmônica à sociedade” é alguma coisa de ordem superior. Logo, o atual governo, que se diz conservador, deve ser analisado por esse ângulo;
  3. Os atuais conservadores, os bolsonaristas, querem uma transformação dos fundamentos da ordem social moderna por vias políticas.
  4. A atual onda conservadora é revolucionária, pois não concorda com a democracia ocidental moderna e quer transformá-la.
  5. Os conservadores não formam um bloco único. Podem ser divididos quanto à:

a) natureza do fundamento social:

a.1) Natureza metafísica-religiosa: Deus que ordena a sociedade;

a.2) Natureza historicista-nacionalista: as tradições ordenam a sociedade.

b) crença política:

b.1) Compete ao Estado manter a harmonia social;

b.2) Não compete ao Estado manter a harmonia social.

  1. Para o conservadorismo do Razzo (partidário da afirmação b.2) o importante é limitar o poder político (Estado) pela esfera dos valores e da cultura. São pessimistas quanto a política, pois “o poder sempre corrompe”.
  2. Os conservadores bolsonaristas acreditam, de um lado, na ordem metafísica (a.1) e, do outro, na competência do Estado para coerir a ordem social (b.1). O bolsonarista vê, portanto, o político como representante de Deus e da nação, e o Estado como meio para concretizar a ordem política.
  3. Ele (o bolsonarista) acredita numa comunidade de valores que valem a pena serem preservados (a.2). O problema é que esses conservadores podem criar uma atitude hostil a tudo que coloque esses valores em risco. E os bolsonaristas fazem isso contra os liberais, os marxistas, os iluministas, os positivistas, os pós-modernos etc.
  4. Ao relacionar os valores com a política, os conservadores otimistas (bolsonarista) se tornam “devotos políticos”. Uma coisa perigosa.
  5. Para o conservador pessimista (o Razzo) a redenção do gênero humano não vem da política. Para ele o ser humano é imperfeito e limitado.
  6. A solução a essa tragédia humana (sua inerente imperfeição) é canalizar essa “violência política” potencial à criação artística, científica e às boas maneiras cristãs.
  7. Conservadores não deveriam querer forjar um novo homem, um novo país, uma nova nação, pois a “perfeição da sociedade” não passa de fantasia.
  8. As virtudes do conservadorismo correto são o ceticismo e a prudência. Isso consiste em pensar antes de agir; em não agir movido por paixões, mas pela vontade submetida aos critérios racionais ancorados na situação real. É um exercício contínuo de contenção dos apetites cuja finalidade é a consolidação de uma “segunda natureza” mais amadurecida e virtuosa.
  9. O conservadorismo otimista bolsonarista não é prudente (ou cético) pois sequer sabe o que é ser brasileiro, não sabe qual é o campo de valores que conforma a comunidade moral brasileira. E para ser conservador brasileiro não adianta importar ideologias estrangeiras.
  10. O conservadorismo bolsonarista, enquanto pretenso protetor da verdadeira ordem de valores do Brasil, que seria a mesma do ocidente tradicional, virou um revanchista contra todas as instituições que, segundo seu discurso, corroeram suas bases por dentro.
  11. Dois exemplos de ataques revanchistas dos bolsonaristas: a agressividade com os universitários, sobretudo os de humanas, e a hostilidade com a grande mídia. O problema da hegemonia ideológica no espaço acadêmico deve ser combatido por vias institucionais, não políticas. Os jornalistas devem ser livres e guiados só por seus valores. Não cabe ao governo confrontá-los.
  12. Por tudo isso, a cruzada conservadora do bolsonarismo só faz sentido no Twitter do presidente, do seu filho e de pessoas do seu núcleo que comungam dessa visão.

 

O Espantalho do Chico

De todos os cientistas políticos do século XX, o que mais contribuiu no estudo dessa relação entre fé e política foi o Eric Voegelin. A partir de A Nova Ciência da Política, obra que marca a ruptura com o projeto de História das Ideias Políticas e inicia a primeira fase de Ordem e História, Voegelin identificou que o grande problema da política no ocidente contemporâneo é que ela havia se transformado numa dogmatoquia – guerra dos dogmas – e isso, porque, segundo ele, na passagem da baixa idade média à idade moderna, uma série de erros intelectuais redundaram no que ele chama de gnosticismo moderno.

O gnosticismo em Voegelin tem uma acepção diferente daquela encontrada na história cristã. Para os Padres da Igreja, os gnósticos eram uma das muitas seitas heréticas que apareceram nos primeiros séculos de cristianismo tentando emplacar uma religião diferente da apostólica. Para Voegelin, gnosticismo é menos uma doutrina que um tipo de experiência humana, um modo peculiar de se enxergar a realidade e, em última análise, o substrato de uma cosmovisão. Nessa perspectiva, a experiência base que anima todo tipo de gnóstico é o sentimento de que o mundo está desordenado e que cabe ao homem, por vias místicas, ascéticas, racionais ou políticas descobrir a chave que colocará as coisas nos trilhos.

Ademais, ele explica que isso teve início e se proliferou no ocidente por causa do esquema histórico-escatológico cristão. Para o cristianismo, que é uma religião eminentemente histórica, o tempo corre numa linha incoercível rumo ao Dia do Juízo; ou seja, o fiel cristão crê que o fim do rio da história desembocará, necessariamente, no Oceano da beatitude celeste, no retorno ao Paraíso, na libertação definitiva do mal. Quer dizer, a escatologia cristã tem um telos, um fim definido, e, ademais, um telos axiológico, pois o fim da linha implica numa melhora qualitativa do estado de coisas.

Ora, isto posto, não é difícil conceber cristãos vacilantes na fé que, não conseguindo aguentar o mundo caótico tal como ele se apresenta, queiram eles mesmos precipitar o final feliz. Foi o que aconteceu com o monge calabrês Joaquim de Fiore, o sujeito que criou um esquema escatológico rival ao das Duas Cidades de Santo Agostinho prometendo a vinda do Reino do Espírito Santo – em sucessão ao do Pai e do Filho –, não no Céu a-histórico, mas no curso do tempo terreno.

De lá para cá, de acordo com Voegelin, muitos movimentos políticos, saídos da órbita de valores cristãos, pegaram carona nesse esquema histórico-trinitário imanentista – pois imanentizaou (transformou num aspecto espaço-temporal) a escatologia cristã que é, em sua natureza, transcendente (está para além do mundo espaço-temporal).

O que Razzo diz no artigo é mais ou menos isso. O bolsonarismo seria, no fim das contas, uma perigosa ideologia que mistura fé, nacionalismo e política; e que, por mais que se diga um movimento conservador, é, na verdade, revolucionário, uma vez que lhe falta o espírito da prudência (Russell Kirk) e o ceticismo (Michael Oakeshott), únicos antídotos eficazes a esses apelos gnósticos-messiânicos.

Tudo muito bonito. O problema é: isso é um espantalho. Um ardil erístico, uma forma de ganhar o debate sem precisar ter razão.

Schopenhauer, que escreveu um livro explicando todos esses estratagemas malandros, chama essa técnica de Rótulo Odioso. O truque consiste em reduzir uma afirmação ou o próprio adversário no debate a:

“uma categoria geralmente detestada, ainda que a relação seja pouco rigorosa e tão só de vaga semelhança. Por exemplo: ‘isso é maniqueísmo’, ‘é arianismo’, […] ‘é misticismo’, etc”.

 

No comentário que o filósofo Olavo de Carvalho faz a esse recurso, ele diz o seguinte:

“Expediente característico de nossos polemistas de esquerda, que fogem de todo argumento mediante a simples alegação: ‘é de direita’ […]”

Ora, é isso que vem acontecendo não só com o Razzo, mas com o grupo de “conservadores pessimistas” da Gazeta do Povo – como, por exemplo, o Paulo Cruz, o Gustavo Nogy, o Martins Vasques e o Rodrigo Constantino. Se algum bolsonarista influente diz que há uma “guerra cultural”, que “Bolsonaro representa certos anseios do homem comum brasileiro”, que talvez dê mais jogo “se alinhar com os EUA e não com os chineses”, “que a velha classe política está se lixando para o povo” ou que “nem sempre a moderação isenta no debate é o melhor caminho, pois depende do interlocutor e do cenário”, eles acusam: é jacobino, é autoritário, é membro de seita política.

Eles podem até acusar o outro lado de incorrerem no mesmo erro ao categorizá-los, às vezes indevidamente, de isentões, fabianos, vendidos, comunistas etc. Mas, não podem negar o fato de que nos últimos meses têm se dedicado exatamente a esse expediente difamatório e, arrisco dizer, com mais empenho e mais tinha gasta que seus antagonistas. E com isso, amigo, todo esse virtuosismo que Razzo&cia se atribuem vai às cucuias.

 

Que “cazzo” é o Bolsonarismo?

Outro ponto é: eles nunca apresentam o programa, a cartilha, a dogmática desse bolsonarismo que eles combatem noite e dia. E isso por um motivo muito simples: esse monstrengo não existe. Não existe o “bolsonarismo seita política” e não existe bolsonarismo nenhum.

Pensemos nisso que se chama “bolsonarismo” como vários grupos distribuídos numa sequência de círculos concêntricos. Teremos que no meio figurará a família Bolsonaro, o Olavo de Carvalho (seja por contribuições intelectuais antigas ou opiniões atuais), alguns alunos do filósofo alocados em cargos importantes (Filipe G. Martins, assessor especial da presidência e Ernesto Araújo, chanceler), alguns militares relevantes (gen. Augusto Heleno, gen. Santos Cruz, gen. Rêgo Barros), evangélicos com a própria primeira-dama e a ministra Damares Alves, o liberal Paulo Guedes, o jurista Sérgio Moro e o político Onix Lorenzoni.

No círculo seguinte, vem os digital influencers e as mídias independentes da direita: Nando Moura, Bernardo Kuster, Daniel Lopez, Diego Rox, Pedro H. Medeiros, Silvio Grimaldo, Renova Mídia, Terça Livre, Conexão Política, Estudos Nacionais, Critica Nacional. Em suma, a turma da lista do Estadão.

O próximo círculo é o dos grupos e perfis de Facebook e Whatsapp, o pessoal que capilariza as opiniões do círculo anterior. Aqui, temos as chamadas “tias do zap”, “os bolsominions” etc. É aquela militância espontânea formada nos últimos dois anos que apoia o presidente com maior vigor – às vezes, é verdade, de maneira agressiva – nas redes sociais. Esse grupo mais grosso agrega desde intervencionistas radicais até gente que só apoia o governo por causa do liberal Paulo Guedes. Entre um tipo de militante e outro, há uma gama variegada de motivos e intenções. Tem a ala gospel, os monarquistas, os católicos tradicionais, as pessoas da classe média que chegaram no barco pelo antipetismo, o adolescente que só quer mandar memes e assim por diante. Tudo muito confuso.

Disso resulta que:

  1. Da influência difusa dos personagens do centro, é impossível derivar uma ideologia coesa. Aliás, a única coisa que aconteceu ali, desde o começo, foram as sucessivas “caneladas”, justamente porque as ideias não batem – dá para imaginar o politiburo soviético ou o bunker nazista nessa bagunça? Alguém já teria ido à vala.
  2. O círculo dos influenciadores não tem uma organização, uma agenda, nem verbas para fazer isso. O que se pode alegar com justiça é que, no geral, eles reverberam as posições do Olavo e isso acaba criando alguma uniformidade no discurso. Porém, ainda assim, isso não conforma nem um programa político circunstancial quanto mais toda uma ideologia político-religiosa que pode transformar o círculo de baixo, o dos influenciados, num exército templário ou na juventude hitlerista ou nos camisas pretas do Mussolini.

No computo geral, sobra, como unidade que se pode chamar bolsonarismo:

  1. Um programa muito vago de valores cristãos-conservadores, tais como:

“O brasileiro é cristão”, “o cidadão comum não concorda com as bandeiras progressistas, como a ideologia de gênero”, “a esquerda criou uma hegemonia cultural e precisamos combatê-la”;

  1. Um programa de progresso nacional de viés tecnocrático:

Reformas institucionais, aplicação correta dos recursos públicos, fortalecimento dos instrumentos técnicos de combate à corrupção e ao crime organizado, desenvolvimento das diferentes regiões com investimentos em tecnologia.

  1. Um programa liberal:

Privatizações, abertura de mercado, controle da dívida pública e da inflação etc.

O “bolsonarismo” que eu conheço é esse. Aliás, o próprio termo, com esse ismo, que sugere uma ideologia, me parece equivocado. O Bolsonaro não tem ideologia, não tem um programa definido. Tem, isso sim, fragmentos de várias demandas diferentes da sociedade condensadas no seu governo que tem tudo, menos uma cosmovisão coesa – como a sociedade brasileira também não tem.

Nesse sentido, o bolsonarismo político-religioso com traços extremistas só existe… no Twitter do Razzo.

 

E o Mito se fez Carne…

O texto – bastante confuso, diga-se de passagem – ainda afirma que o bolsonarista típico vê o presidente como um representante de Deus e da nação – como um faraó egípcio, o dispensador da ma’at, o poder agraciador que ordena o cosmo em torno do Nilo; ou como um Saul, ungido pelo profeta Samuel para salvar o Povo Escolhido da mão dos filisteus; ou como um Carlos Magno, coroado pelo Papa para defender a cristandade das mãos dos mouros e vikings.

Alguém consegue acreditar que a massa difusa de apoiadores bolsonaristas comungam, realmente, dessa percepção? E mais: acreditam a ponto de cometerem atos violentos em defesa desse comissário de Deus na Terra que come pão com leite condensado e chora ouvindo Evidências? Quantos esquerdistas foram assassinados depois que o Bolso-Deus levou a facada? Não era para os fanáticos saírem com seus capuzes e tochas chacinando todos os infiéis que lhes cruzassem o caminho?

No mais das vezes, quem faz essa relação entre a vitória de Bolsonaro e a vontade de Deus, de maneira muito menos grave do que Razzo et caterva querem fazer parecer, é o próprio Bolsonaro. Ele, como cristão, acha que tudo na vida é um desígnio de Deus e, sendo assim, se mesmo com todas as adversidades ele chegou lá, foi porque Deus quis. Nunca ouvi nada muito diferente disso. E não consigo ver aí o extremismo messiânico que Razzo sugere.

À essa ideia do presidente, pode ser mesmo que algum fanático religioso faça, por conta própria, a associação da fé com a política e saia dizendo disparates no Facebook. E só. Porém, depreender disso que corremos o risco real de assistirmos a formação de uma milícia cristã-bolsonárica é, convenhamos, forçar muito a barra.

 

O curioso caso do conservadorismo ideológico

Em outro momento, Razzo diz que conservador, ciente da falibilidade humana, não pode querer mudar o homem, o país, a nação. Aqui ele escorrega feio e mistura, de vez, lé com cré. Uma coisa é querer mudar a natureza humana, um total absurdo, já que a natureza de coisa alguma pode ser alterada. Outra é querer mudar uma nação, uma impossibilidade ontológica, uma vez que nacionalidade diz respeito a historicidade de um povo. Agora, um país, do ponto de vista político contingencial, não é só possível como desejável mudar dependendo da circunstância. Ou os nobres que pressionaram John Lackland a assinar a Magna Carta eram revolucionários? E a turma da Revolução Gloriosa, que legou ao mundo a Bill of Rights e a consolidação do parlamentarismo, tudo jacobino? Os rebeldes americanos que assinaram, na Convenção da Filadélfia, a Carta de Independência das colônias americanas, temíveis radicais?

E aqui se nos revela mais um detalhe da crítica dos “conservadores pessimistas”. A turma, ignorando a lição número um de Kirk, Scruton, Oakeshott, Coutinho e seus demais professores, criou uma ideologia.

Como há algumas definições possíveis de ideologia, vou me socorrer da usada por Eric Voegelin em Reflexões Autobiográficas, emprestada de Robert Musil: ideologia é uma segunda realidade criada discursivamente para justificar certas ações político-culturais.

A segunda realidade em que vive esse pessoal lastreado da Gazeta do Povo é a mesma do conservador Neville Chamberlain, o homem que quis parar o nazismo com uma folha de sulfite e uma canetada – e acabou contribuindo, ainda que involuntariamente, aos morticínios que Hitler e sua gangue protagonizaram no leste Europeu. E isso por acreditar, dogmaticamente, que o institucionalismo democrático, o Estado de Direito, o consensualismo, o debate racional etc., são sempre e necessariamente o modus procedendi legítimo na política, não importando quem sejam os adversários e quais sejam as circunstâncias.

Ora, a crítica mais forte à democracia ocidental feita, vale dizer, por um grupo muito específico nesse universo bolsonarista, é: as instituições democráticas não funcionam independentemente das pessoas e as pessoas que estão nas instituições brasileiras, são, no mais das vezes, antidemocráticas – seja porque fazem parte das oligarquias regionais que se encastelaram no Estado por coerção econômica, seja porque chegaram lá na medida em que o povo, sem meios de confrontar as opiniões correntes, foi induzido por décadas a votar em quem os intelectuais esquerdistas e a mídia queriam.

Há alguma mentira nisso? E, apesar disso, o governo fez – ou indica que vai fazer – algo que ameace a tal democracia e justifique os prudentíssimos alertas do Razzo e seus amigos? O governo, aliás, não pode nem mesmo mencionar que a academia, nos seus cursos de ciências humanas, e boa parte das redações de jornal e TV estão, realmente, dominadas por agremiações políticas e agentes propagandistas do grupo ideológico que quase levou o país ao colapso? Para ser democrata, tem que agir sempre como o Chamberlain e nunca como o Churchill ou o Reagan ou o Trump?

 

Conclusão

Esse texto do Razzo é exemplo de uma tendência. Tudo que essa turma “conservadora pessimista” da Gazeta do Povo tem feito é muito mais um esforço para mostrar suas próprias virtudes – o quanto são prudentes, céticos, independentes, como não se deixam levar por nenhuma onda, como não bajulam políticos, como não endeusam intelectuais – do que analisar a sério o quadro político-cultural do Brasil pós-PT. Para isso, criaram um espantalho se baseando em impressões de Twitter e em desavenças com o Olavo e alguns de seus alunos. Ou, de outro modo: para se colocarem como saneadores do debate, como guias do conservadorismo, como professores das boas virtudes políticas, inventaram uma figura tacanha, boquirrota, ignorante e totalitária que só existe como movimento político em suas cabeças. Daí eles batem nesse bicho e, como recompensa, ganham espaço na Folha de São Paulo – que é onde vão encontrar os leitores que valorizam mais essa pose do que a verdade.

 


Link do artigo do Razzo: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2019/06/cruzada-conservadora-de-bolsonaro-so-faz-sentido-no-twitter-diz-autor-conservador.shtml

 

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