A farsa de O Antagonista

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O site O Antagonista foi o responsável por divulgar o boato de que Olavo de Carvalho teria passado de todos limites ao ofender o general Villas Bôas valendo-se da doença que, lamentavelmente, colocou o militar, há algum tempo, em uma cadeira de rodas.

Espalhada a notícia, todo o universo “antiolavista”, que vai dos intervencionistas, passa pela direita esnobe da Gazeta do Povo, pela mídia tradicional – incluindo a Globo, que dedicou valiosos minutos no Jornal Nacional ao caso – e desemboca no esgoto extremo-esquerdista do Diário do Centro do Mundo e da Carta Capital, se lambuzou na novidade e saíram cantado, com os louros da glória, a gota d’água do guru, ideólogo e desequilibrado Olavo de Carvalho. Daqui para diante, ele estaria aniquilado. Ninguém relevaria uma malvadeza dessas.

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E até mesmo figuras que ascenderam ao estrelato no universo liberal-conservador graças a Olavo, como o cantor Lobão, caíram nessa esparrela. O músico fez um vídeo tomado de indignação, consternado mesmo, pelo tratamento repugnante do filósofo ao general.

O objetivo dessa matéria é, pois, esclarecer os fatos. Vejamos se houve realmente esse ataque imperdoável do Olavo ao Villas Bôas e concluamos se isso que O Antagonista chama de jornalismo merece esse nome.

1. O primeiro ato dessa questão foi uma nota, postada na segunda feira (06), no Twitter do general Villas Bôas. O texto dizia, entre outras coisas, que Olavo padece de “um vazio existencial”, que ele demonstra “total falta de princípios básicos de educação” e que o escritor seria um “Trótski de direita” – em alusão ao revolucionário comunista Leon Trótski.

 

 

2. Ato contínuo, Olavo postou a seguinte mensagem:

 

3. Ontem (7), logo no começo da madrugada (um pouco depois da meia-noite) veio, então, a mensagem que causou todo o alvoroço. Repare que não é uma resposta à nota de Villas Bôas, mas uma mensagem endereçada ao general Santos Cruz, alvo de quase todas as mensagens de Olavo naquele dia.

 

 

4. Desta feita, às 6h22 da manhã, O Antagonista começou a repercutir o caso com a seguinte chamada: “Olavo sobre Villas-Boas: ‘Um doente preso a uma cadeira de rodas'”. O corpo da matéria, dizia o seguinte: “Olavo de Carvalho fez um comentário nojento sobre o general Villas Bôas” e transcrevem a postagem do escritor. Em seguida escreveram que Villas Bôas é o maior líder militar do Brasil  “por sua lucidez, por sua carreira e por sua capacidade de comando”. E concluíram dizendo: “a sordidez de Olavo de Carvalho superou todos os limites”.

 

 

5. Ao longo desse mesmo dia, O Antagonista coletou uma série de depoimentos de figuras da política críticas ao filósofo: Aldo Rebelo, ex-ministro de Dilma; Arthur Virgílio, prefeito de Manaus;  Mara Gabrilli, senadora psdbista que também é cadeirante; os deputados Telmário Mota e Rubens Bueno; e, por fim, Davi Alcolumbre, presidente do Senado. Todos, de certa maneira, aproveitando-se dessa brecha, o tal “comentário nojento”, de Olavo.

6. Como disse, foi nesse tom que todo o resto da mídia e personalidades, de uma ponta a outra do espectro político, abordaram o caso. Olavo, o destemperado, o chulo, o baixo, teria mesmo feito um comentário vil, execrável imperdoável contra um homem nobre.

Mas, a pergunta feita, com justiça, pelo próprio Olavo e por quem não é movido por um ódio ou ressentimento, explícito ou velado, ao escritor, foi: qual foi a ofensa de Olavo ao general?

Analisemos a frase.

“Há coisas que nunca esperei ver, mas estou vendo. A pior delas foi altos oficiais militares, acossados por afirmações minhas que não conseguem contestar, irem buscar proteção escondendo-se por trás de um doente preso a uma cadeira de rodas. Nem o Lula seria capaz de tamanha baixeza”.

  1. A mensagem se destina aos “altos oficiais militares acossados por afirmações minhas que não conseguem contestar…” quer dizer, os destinatários são o general Santos Cruz, outros militares do governo e talvez membros do Clube Militar, que publicaram uma nota em desagravo ao Olavo na semana passada.
  2. Villas-Boas é representado aqui não como alvo, mas como vítima. O general, de fato, é “um doente preso a uma cadeira de rodas”. Ou não? Isso não é a mera descrição de uma realidade empírica, patente? Tudo leva a crer que o general sofra de esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença degenerativa, das mais cruéis, que desencadeia um processo progressivo de paralisia. É a mesma doença de que padecia, por exemplo, o físico Stephen Hawking.
  3. Qualquer pessoa minimante alfabetizada entende, por conseguinte, que a fala de Olavo pode ser traduzida assim: “Vocês colocaram na briga uma pessoa gravemente adoentada. Isso é sinal de covardia, de fraqueza. É um desrespeito para com o general. Nem uma pessoa muito baixa (como o Lula) teria coragem de recorrer a alguém acamado para lhe defender de ataques que, sozinho, não tem condições de responder”. É isso.

 

 

Onde está a nojeira nisso, O Antagonista? Ou é altamente moral perturbar o repouso de um adoentado com problemas que cabem a nós mesmos resolver? Isso que é jogo limpo?

É sabido que o pessoal desse site caça-cliques não se dá com o Olavo e vice-e-versa. Até aqui tudo bem, normal, faz parte. Entretanto, armar um festival de difamação desse naipe, calcando-se numa mentira dessa grossura, aí é muita baixeza, até para os padrões de blogs como o Brasil 247.

Enfim, é notório que O Antagonista vive de fofocas, de copy e paste de tuítadas e do sensacionalismo de jornalismo marrom, mas, precisa se chafurdar tanto assim na lama da corrupção moral só para ganhar mais uma centena de cliques nesse site cuja credibilidade, desde o “Lula preso amanhã”, é mais ou menos a mesma que se dá a um “meme”?

Sorte nossa que é verdadeiro o provérbio: sapientiam autem non vincit malitia.