Testes para o zika são inconclusivos para aborto, diz Câmara

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Testes para o zika são inconclusivos para aborto, diz Câmara
Foto: Cremerj
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Ph.D em Ginecologia da UFRJ mostra que não existem meios viáveis para diagnóstico seguro de microcefalia na gestação e põe em xeque viabilidade da ação que corre no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre aborto em caso de zika vírus.

Durante o Simpósio Parto e Aborto: discussão de Temas Polêmicos, ocorrido no sábado (30/03/2019), o doutor Raphael Câmara mostrou estudos que os testes para o zika vírus podem acusar resultados errados e não são conclusivos para basearem decisões de aborto.


Reprodução Cremerj: O Supremo Tribunal Federal julgará, em 22 de maio, a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5581. A ADI propõe a descriminalização do aborto no caso de mulheres infectadas pelo zika, em resposta aos casos de microcefalia ligados ao vírus. Câmara se manifestou contra a proposta. Segundo ele, a ADI foi redigida anos atrás, e alguns dos questionamentos não fazem mais sentido em vista do conhecimento que se tem hoje do vírus.

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“Os resultados positivos para o zika devem ser analisados com muita cautela, porque podem representar apenas uma exposição prévia a outros flavivírus. Não temos como ter certeza desses diagnósticos”, afirmou.

O médico e organizador do evento apresentou uma comparação entre os testes para o zika vírus. Tanto os ensaios sorológicos quanto o RT-PCR e o PCR em tempo real podem apresentar reações cruzadas, com falsos positivos. Já o PRTN, o chamado “teste de ouro”, leva tempo e tem alto custo, além de demandar pessoal e infraestrutura especializados. Nem os exames de imagem garantem certeza nesses casos, afirmou.

Câmara destacou, ainda, que nem todas as mulheres grávidas infectadas com o vírus dão à luz a bebês com microcefalia. Ele apresentou dado do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças nos Estados Unidos) de que apenas 5% dos bebês de mulheres infectadas com o zika tiveram má formação.

Uma revisão de estudos feita pelo palestrante mostrou que de 66 fetos de mães infectadas, apenas 24% tinham microcefalia. Ele também argumentou que a microcefalia pode ser assimétrica e variar de discreta (25%) a moderada ou grave (75%).

“O que estou dizendo aqui é que se o aborto for feito baseado nesses exames, é provável que se abortem fetos saudáveis. O fato da mãe ter sido infectada não implica que o bebê terá microcefalia. De todo o modo, a microcefalia também não indica necessariamente que não haja desenvolvimento cerebral”, resumiu.


 

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