Raízes do ateísmo militante

7
raízes do ateismo militante
Anúncio:

Eu, particularmente, vejo um grande problema em praticamente todo ateu militante. Esse problema é o que realmente os limita e possibilita identificar uma espécie de cacoete mental, um ciclo vicioso do qual é muito difícil sair. Esse problema, que eu classificaria como radical, no sentido etimológico de raiz, é a arrogância ignorante. É ela que, sempre irmã do orgulho vicioso, embota o raciocínio e o pensamento, inadmitindo sequer a hipótese de que somos seres contingentes, cuja existência mesma é absolutamente dependente de uma sustentação transcendental e heterônoma. Eles, orgulhosa e arrogantemente, se aferram a uma autonomia existencial e, paradoxalmente, se reduzem à animalidade pura e simples. Preferem isso a sequer cogitar uma submissão a um Ser Divino, que só por pensamento analógico pode ser aproximativamente conhecido, conforme ensina a tradição apofática.

O grande protótipo dessa arrogância é encontrável em Nietzsche, que afirmou aproximadamente o seguinte, que não podia crer em Deus, porque não suportaria, em existindo um Deus, que este não fosse ele mesmo. Então, caem no equívoco óbvio de tentar submeter Deus e a divindade a uma tentativa de desvelamento direto (não meramente analógico), de submeter Deus a categorias materialistas, a relações binárias, temporais, imanentes, puramente racionais no limite humano. Por esse caminho realmente um bloqueio insuperável é criado e mantido pela ignorância arrogante que se retroalimenta de suas próprias limitações e, sem perceber essa obviedade, presunçosamente, se autointitula como “superior”, apontando qualquer crente como irracional, ignorante, supersticioso etc. Acusam os outros daquilo que são, movidos por uma espécie de patologia, desconhecendo, na maioria das vezes, ou mesmo desprezando uma tradição de racionalidade fortemente ligada à religião pela obra de grandiosos filósofos e teólogos, como, por exemplo, São Tomás de Aquino, Santo Agostinho, Chesterton, Mário Ferreira dos Santos , Cláudio Henrique de Lima Vaz e muitos outros. Chegam a olvidar que a religião é um fenômeno típica e exclusivamente humano, portanto , inapelavelmente racional, já que pelo menos desde os gregos clássicos sabemos que somos seres racionais e de uma racionalidade específica, que nos capacita a abstrações, ao universal e à autoconsciência. Seres irracionais ou dotados de uma racionalidade limitada não manifestam qualquer comportamento remotamente similar à religiosidade e, muito menos, jamais erigiram complexos pensamentos e sistemas teológicos. Mas, sem perceber nada disso, para o ateu militante, os burros são os “outros”, sem notar que, na realidade, burros, jumentos e outras bestas e feras nunca desenvolveram e nem desenvolverão sistemas religiosos.

Anúncio:

Tudo isso que constato, diz respeito muito especificamente aos ateus militantes, não àqueles que tem dificuldade particular em crer, pois isso também é humano e a fé sem o contraponto da dúvida seria inviável, pois ou seria a descrença absoluta e inafastável faticamente ou a certeza por revelação direta. Afinal, a luz não pode existir sem o contraponto das trevas ou das sombras. Também não incluo neste mesmo contexto os chamados agnósticos, em sua espécie de “suspensão do julgamento “, que revela uma natural e também humana insegurança do homem frente aos mistérios do divino. A estes reserva-se o caminho da introspecção e da busca da solução de um dilema existencial, sentimental e cognitivo. Os ateístas militantes até podem, mas muito raramente se concederão a chance de emergir da ignorância, exatamente porque ela vem acompanhada de um orgulho profundo e de uma arrogância intransigente.

 

Inscreva-se em nossa Newsletter e receba novidades por e-mail.