Militares podem estar preparando derrubada de Bolsonaro

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A publicação econômica Relatório Reservado, ligada a setores militares e empresariais, sugere “tutela militar” como única solução para o governo Bolsonaro. A tutela poderia ser uma transição para a efetiva remoção de Bolsonaro da presidência.

A publicação, criada em 1966 para fomentar a agenda do nacional-desenvolvimentismo do regime, afirma ser esta a opinião de uma grande parcela de generais e empresários. Segundo a publicação, estaria em curso uma movimentação para impor limites e restrições ao comportamento e liberdade decisória de Bolsonaro, incluindo a vigilância e redução das iniciativas dos seus três filhos – Nas redes sociais e fora delas. A revelação repercutiu em diversos sites, inclusive os da esquerda, como o Brasil 247.

Recentemente, o general Paulo Chagas comentou em seu Twitter:

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“O Brasil não é uma Monarquia e a Família Bolsonaro não é a Família Imperial. Os filhos do presidente não são Príncipes Herdeiros. Temos que separar as coisas. Filhos são filhos, políticos são políticos. Não são herdeiros da “Cadeira Presidencial”, nem membros do governo”.

Há que se registrar uma importante informação: no dia do atentado a Bolsonaro, 6 de setembro, o site Antagonista noticiou uma reunião de cúpula do alto comando do Exército. Segundo informava o site,

Na cúpula do Exército, o entendimento é de que a “a situação do país piorou”.

“As instituições perderam a mão. Se o Bolsonaro morrer, a coisa vai desandar”, comenta um oficial.

A última edição do Relatório Reservado menciona também a influência de Olavo de Carvalho no governo Bolsonaro como uma “simbiose familiar que já incomoda os militares”. Destacam o vice, general Mourão, como mais capacitado ao cargo de presidente, o que poderia ser possível através de um “acordo cordial” para que Bolsonaro deixasse o cargo nas mãos de Mourão.

O filósofo Olavo de Carvalho, que no último sábado acusou os generais de estarem se escondendo por trás de Bolsonaro, chamou a atenção para o fato de que nenhum general, até agora, foi alvo da grande mídia. Olavo divulgou o relatório em seu perfil pessoal do Facebook pedindo atenção das pessoas à questão. Leia o artigo na íntegra ao final da matéria.

O que é o Relatório Reservado?

A publicação é editada pela Insight Comunicação, focando-se ainda mais nas áreas corporativa e financeira. A partir deste conceito surgiu o Relatório Reservado – Negócios & Finanças. A newsletter, disponível apenas para assinantes, “tem como objetivo esmiuçar o cotidiano das grandes empresas e das esferas econômica e política, levando a seus leitores informações em primeira mão, sempre com um tom analítico”, diz matéria do IG de 2013.

O Relatório Reservado, que em 2013 iniciou um blog dentro do site IG (blog já extinto), é editado por Claudio Fernandez e Alexandre Falcão. “Temos jornalistas exclusivos, mas a colaboração provém, predominantemente, de uma rede fixa de informantes em empresas, no Congresso e no governo. Para cada informação apurada pela equipe interna fazemos a seleção de 10 outras que nos chegam da nossa network”, revela Fernandez, editor do Relatório Reservado – Negócios e Finanças.

Em uma matéria no site do IG, Claudio Fernandez conta ainda como é complexa a relação da publicação com os personagens e fatos reportados. “O mais sensível, contudo, é a nossa cobertura sobre as desavenças no âmbito societário, na esfera executiva das empresas ou entre autoridades. Poucas mídias estão atentas a esse espaço de quebra da harmonia nas cúpulas, quando é nele que se encontram as motivações para as grandes decisões do mundo corporativo e da própria política econômica.”

O jornalista recorda que o RR já deu furos memoráveis, tais como a aquisição do Unibanco pelo Nacional, a quebra do Bamerindus, a compra das Casas Sendas pelo Pão de Açúcar e, para ser bem mais atual, o auto de infração da Receita Federal junto ao Banco Itaú, com uma multa colossal de R$ 18 bilhões, informa o IG.

Leia o artigo da publicação Relatório Reservado, na íntegra:

Em andamento as negociações para uma tutela do presidente da República, Jair Bolsonaro, pelo seu vice-presidente Hamilton Mourão, e demais ministros militares prestigiados no Palácio do Planalto. Trata-se de uma ação realizada em sintonia com o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, e os comandos das Forças Armadas. O termo negociação é pro forma.

O projeto é impor limites e restrições ao comportamento e liberdade decisória de Bolsonaro, incluindo a vigilância e redução das iniciativas dos seus três filhos – Nas redes sociais e fora delas. No entorno do presidente ele é comparado a João Baptista Figueiredo, que surpreendeu inclusive aos seus camaradas pelas atitudes estapafúrdias após ser eleito. Justificou-se o comportamento de Figueiredo pela operação cardíaca que sofreu. Bolsonaro levou uma facada, mas não teria sido ela o componente emocional responsável pelo seu desarvoramento.

Bolsonaro simplesmente não está à altura do cargo e muito menos do time que montou. Não entende grande parte do que se discute no governo e não se empenha para isso. Ele se dirige somente a um contingente dos seus eleitores. Desrespeita os protocolos. E parece manietado pelo gnomo de Richmond, Olavo de Carvalho, em uma simbiose familiar que já incomoda os militares. Entre os generais, empresário e boa parte dos formadores de opinião melhor seria se fosse possível fazer algum acordo cordial para que Bolsonaro deixasse o cargo e Mourão o assumisse, imediatamente.

Depois que deixou de lado a linguagem do quartel, tornando-se mais comedido, o vice-presidente tem mostrado preparo muito superior e a autoridade necessária para o exercício da função. O que se diz quase nas fuças do presidente é que ele governa para um gueto, e Mourão governaria para os brasileiros. O escorpião que passeia em meio às conspirações destila a certeza que o filho Flávio Bolsonaro não tem como explicar seus atos inconfessáveis. E não é possível esterilizar as estranhas armações do jovem senador, de forma que eles não respinguem no presidente e nos demais membros do clã. É o bolsonarogate ou a temerização já, no curto governo do capitão. Mourão está pronto para assumir. Basta que as condições sejam dadas. Por enquanto, a tutela é um primeiro estágio.

 

 

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